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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Poema Ágil

A Santa Cruz, Coroa Vermelha, Cabrália, Porto Seguro





















Adorava escrever à velocidade do pensamento
Debruçado na mesa, na cama, no travesseiro
Sem que a caneta se detivesse um momento
Que nobres versos rendessem muito dinheiro.

Que a minha geração mudasse o mundo,
Conquistando Nações a Cristo ou limpando
Definitivamente a seca do Planeta imundo
Que nossos filhos do melhor fossem herdando.

Mas a imensa e maravilhosa Terra sempre frágil
É pasto de fome, fanatismos, guerras e catástrofes
Ficando apenas breve testemunho como poema ágil
Incertos versos, talvez um dia impressas estrofes.


20.10.2015

quarta-feira, 1 de julho de 2015

O Cozinheiro













Gordon Ramsay (foto: The Observer, "Grilling Gordon", Hillary Frey)




Entretido desde cedo, na intimidade de um poema
Porque a cultura não confere o poder do dinheiro
Um homem escolheu sua profissão nesse dilema
Entre a escrita e a subsistência sendo cozinheiro.

Seu pai tinha por lema: "A cultura não alimenta"
Mas em jovem, sentira tão profunda a poesia,
Afoite buscou o livresco saber que não sustenta,
Completando a receita com temperada sabedoria.

Quando por fim, promovido a chefe num restaurante
Três estrelas Michelin, o cozinheiro resumiu na alma
Toda uma atribulada vida no fulgor dum instante
E foi poema sendo profissional em plenitude e calma.



26.06.2015

terça-feira, 8 de junho de 2010

Coisas













Nadir Afonso, Cidades


Que importância têm para nós as coisas?
Haverá significado neste mundo material?
Todas as coisas estão no chão
Fui eu que as lancei, sem ser por mal
Partidas estão as louças, não fui eu não.

Ainda há aqueles que tudo fazem por dinheiro
E todos os que não se preocupam
Com o mal que fazem a si e aos outros.
Mas afinal haverá o que todos procuram?

Segurei os meus desejos presos dentro
De mim. Apodreci-os não os realizando.
Hoje, tenho a memória deste poema
E surpreende-me a incapacidade que enfrento
Sinto-me vagueando, perdido na arena.

Como alguma vez conseguirei a este conto
De fadas a que pertenço?
Príncipe de coisa nenhuma, rei sem trono,
Já está perdida a batalha que venço.


1993