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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Suposição
















Pensava eu cantar afinadinho
Quando nunca tinha tido oportunidade
De cantar para o Senhor um corinho;
Quando o pude cantar, experimentei a felicidade.

Sentia-me apaixonado e meu amor
Me amava, mas era tão estranho
Porque sentia prazer e dor;
Minh'alma vagueava num rio de estanho.

Encontrei (supus) alguém compartilhando
Mesmos ideais espirituais, amor eterno
Desde sempre procurado, para sempre partilhado;
Que sentimento poderia haver mais terno?

Porém, quem me seduz vive no mundo
E eu, seduzido, eis que no mesmo mundo vivo
Só agora compreendo que não pode ser imundo
Esse sentimento profano e verdadeiro que me tem cativo.


22.05.2008

terça-feira, 8 de junho de 2010

Coisas













Nadir Afonso, Cidades


Que importância têm para nós as coisas?
Haverá significado neste mundo material?
Todas as coisas estão no chão
Fui eu que as lancei, sem ser por mal
Partidas estão as louças, não fui eu não.

Ainda há aqueles que tudo fazem por dinheiro
E todos os que não se preocupam
Com o mal que fazem a si e aos outros.
Mas afinal haverá o que todos procuram?

Segurei os meus desejos presos dentro
De mim. Apodreci-os não os realizando.
Hoje, tenho a memória deste poema
E surpreende-me a incapacidade que enfrento
Sinto-me vagueando, perdido na arena.

Como alguma vez conseguirei a este conto
De fadas a que pertenço?
Príncipe de coisa nenhuma, rei sem trono,
Já está perdida a batalha que venço.


1993