Aurélio Bentes Bravo, "O Lugar do Silêncio", 2026, Tela s/ acrílico, 50X70
Prefiro o suicídio num
poema ao sonho que acorda
Prefiro o sonho num
poema, sonho que nunca acorda
Ao fim abrupto e
repentino da preciosa vida,
Eterno sonho que não
termina, eterno sonho que convida.
No papel, a tinta lavra
um poema que tem um fim.
Tal como as palavras,
também tenho fim, sou assim:
Um poema honrado que faz
do hara-kiri seu fado
Guerreiro bushi-do esperando a morte, sabre ao
lado.
No ritual que escolhi,
fugi à desonra e à ignomínia
Enquanto possuía
liberdade, múltiplas escolhas fazia,
Até que, despojado de
tudo, meu país à morte obrigou
Vivo em sonho a única
saída para tudo o que possuo e sou.
Eis o pesadelo que nunca
termina e o fim da poesia
Encerrado na nobreza
deste enorme castelo, preferia
Ser rei morto, rei posto
que por um regicida deposto
É essa a minha vida,
gritem “viva o rei!” com desgosto...
27.01.2016






