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domingo, 5 de abril de 2026

Páscoa


 







Templo Romano, S. Cucufate


Quando sentes que a responsabilidade

Tem um limite que é como a onda 

No mar, quando dentro da cidade

Sentes a presença que te procura e sonda.


Podes pensar que tudo está perdido

Até poderás sentir que todos contra ti

Estão, mas não, eu estou contigo

Procuro-te e amo-te desde que te vi.


Guarda este segredo na angústia,

Mantém a fé, a esperança, a astúcia,

Não te deixes enlear por todo o mal, 

Lembra-te da palavra - és luz e sal.


Corre até à meta, atinge o alvo

Por fim verás que chegaste a 

Bom porto, combateste o bom combate.



25.09.2025


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Luzes















"Luzes da Floresta", autor desconhecido



Desencontros no consultório da esperança de que me curo:
Dora, que diferença na postura e no tão expedito vestir!
Apenas a voz melada, os olhos doces e o cabelo castanho escuro
Permanecem iguais; tudo o resto é novidade, fluxo, devir.

Pernas tão elegantes no toque do veludo azul que arrepiam,
Enlevam no transporte do andar, e se por minha culpa te zangas

Arrojo-me a teus pés, que nas sandálias cinzentas rodopiam
E vou derretendo devagar no calor negro dessa camisola sem mangas.

E que distante estás da menina que se sentava no chão da varanda,
Enquanto esperava, insondável, impenetrável e imutável a chamada
Para o baile! Hoje és a dama que conduz a corte, és quem comanda
O cortejo e és, oh senhora do ígneo parecer, por este bobo amada.

Quem tão bem cuida das aparências, certamente conseguiu
Derrotar a locubridão do vício, e escolheu por par a vida...
Apesar de distante, no bulício dessa tarde, alegre é quem viu
A beleza no corpo, na alma e na aparência que convida.

A aparição de tanto fulgor, luz e jóias é espectáculo sem demora
Que ofusca mais que mil e uma luzes do salão nobre onde se dança,
Pois breve é a vida e mais efémera ainda é a tua beleza, Dora.

Apenas posso desejar que, envolta em tanto brilho de mudança,
Jamais troques de par, e continues a dançar na vida que se comemora
Para que teu corpo tão atraente seja a aparência da renovada esperança.





09.12.2000

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Ser de Luz














Pudera algum dia entender
Porque defendo a virtude
Praticando o vício de ser
Não alvo, mas negritude.

Se conseguisse discernir
Qual o estranho mecanismo
Que de tal modo me leva a agir,
Então seria, não outro, mas eu mesmo.

Porque somos seres feitos de luz
Mas, na acção, dominados por trevas,
Pois a realidade material seduz
E não vemos o ideal entre as névoas.

Um dia, perante a eternidade,
Todos teremos a oportunidade
De praticar o defendido bem
Nesta terra, assim como no além.


22.05.2008