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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Encontro




















Leonardo da Vinci, "Vitruvius"


Queria ouvir, afinal ditei o assunto da conversa
Marcar o encontro, abrir a porta, esperar
Entrei com questões e fui examinado, fui falar
Perante o silêncio, parti sempre e vice-versa.

Porque tudo está determinado, tudo tem um plano
A origem está no sujeito que é apenas parte do todo.
Aprende-se com o erro, regularmente, ano após ano,
Vive-se, morre-se e o vórtice roda para o centro do rodo.

Leis inexoráveis que ultrapassam o entendimento
Apenas os acidentes naturais não são provocados
E estes podem ser previstos antes do momento,
Mas os danos, por desconhecidos, não são evitados.

Oh! Razão soberanamente iluminada,
Mentes que brilharam para a Humanidade
Hoje esquecida e são para o Homem nada.


11.06.2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sombras















Capitéis na porta da Sé de Lisboa, lado esquerdo


À sombra, perto do lago onde os peixes vermelhos
Nadavam, procurando algumas migalhas ou insectos
Desprevenidos que servissem de lanche, os velhos
Gatos esperavam pardais, em idade menos provectos.

Até mesmo as palmeiras, com as suas bananas,
Participavam no ciclo do comer, alegre festim
Banquete de criaturas, homens e deusas dianas
Em que comer e ser comido é um acto sem fim.

Mesas e cadeiras, também elas, apreciando fazerem
Parte da criação, rejeitavam serem meras narrativas,
Mas apenas suporte da escrita original - não o ser em,
Mas sim o ser aí, apanágio da eternidade e das divas.

Eis a Natureza, que prossegue o seu caminho, louca
Na ebriedade simples da água, e sua eterna rival,
A Técnica, também ela numa exigência que coloca
A verdade como simples produção, na corrida do mal.

Oh! Mediador entre os animais e os deuses, ignara
É a tarefa do Homem: participar na infinita ceia
Ou alimentar de verdade a Técnica que o mata.

Mas, no imenso saber da criação ignorante de Geia,
Tudo tem explicação: o Homem é pasto da autómata
Técnica, que o sucede no topo da alimentar cadeia.


10.08.2000