sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Memória

Sé da Bahia


Um poema a sós
Foi o que escrevi com sorte
E angústia para nós
Quando contemplei a morte.

Palavras que são vividas
De valor incomensurável
Traspassam tantas vidas
Ou versos, poema agradável.

Recorda-te meu amor do divino
Pois somos como ele, inalcançável
Fica uma igreja sem paredes nem sino,
Do sagrado a experiência inefável.


27.03.2015

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Poema Ágil

A Santa Cruz, Coroa Vermelha, Cabrália, Porto Seguro





















Adorava escrever à velocidade do pensamento
Debruçado na mesa, na cama, no travesseiro
Sem que a caneta se detivesse um momento
Que nobres versos rendessem muito dinheiro.

Que a minha geração mudasse o mundo,
Conquistando Nações a Cristo ou limpando
Definitivamente a seca do Planeta imundo
Que nossos filhos do melhor fossem herdando.

Mas a imensa e maravilhosa Terra sempre frágil
É pasto de fome, fanatismos, guerras e catástrofes
Ficando apenas breve testemunho como poema ágil
Incertos versos, talvez um dia impressas estrofes.


20.10.2015

sábado, 3 de outubro de 2015

Mãe



Tu és a mulher, minha mãe
Razão de amor e fonte de vida;
Como devolver imenso bem,
Respeito, carinho e paz em ti contida?

O meu primeiro amor
Foi como a Virgem Maria,
Mas incomparável é o seio materno
Que protege da dor e trevaria.

Pode tal amor ter razão?
Certamente não terá fim,
Mesmo sabendo que não,
Sinto-o bem dentro de mim.

19.09.2015

quarta-feira, 1 de julho de 2015

O Cozinheiro













Gordon Ramsay (foto: The Observer, "Grilling Gordon", Hillary Frey)




Entretido desde cedo, na intimidade de um poema
Porque a cultura não confere o poder do dinheiro
Um homem escolheu sua profissão nesse dilema
Entre a escrita e a subsistência sendo cozinheiro.

Seu pai tinha por lema: "A cultura não alimenta"
Mas em jovem, sentira tão profunda a poesia,
Afoite buscou o livresco saber que não sustenta,
Completando a receita com temperada sabedoria.

Quando por fim, promovido a chefe num restaurante
Três estrelas Michelin, o cozinheiro resumiu na alma
Toda uma atribulada vida no fulgor dum instante
E foi poema sendo profissional em plenitude e calma.



26.06.2015

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A Poesia como Ciência
















Joaquim Evónio de Vasconcelos 
(03.09.1938-23.06.2012)

A poesia vai além
Das palavras que se escrevem
E um só verso não contém
A essência que vai e vem.

O poema simplifica o complicado
Resumindo o essencial à quadra,
É a última potência ao quadrado
Elevada, é da filosofia a pedra.

Irredutível a um tema, insolúvel
Problema, palavras e ritmo
Feminina como a mulher, volúvel
Ignorado matemático algoritmo.

Sem estar no tempo nem espaço
Ciência exacta do sentimento,
Amizade, aquele terno abraço
Que perdura, eterno, num momento.


26.01.2015 

domingo, 4 de janeiro de 2015

Adeus, Ó Comandante

      Robin Williams (1951-2014)


Hoje, pinto o teu sorriso
Amanhã, um barco a chegar
Poema ou fresco de choro ou riso
Obra de arte que vou declarar.

Que importa ao lápis o tempo a passar,
Apenas o teu rosto para o pincel!
Que importa o tempo ou as ondas do mar,
Apenas o motim que inspiras no batel!

Adeus, ó comandante, adeus tripulação
Da beleza do teu rosto resta este papel...
Sobem as chamas na fogueira da paixão.

Abasteçam o convés, pois amanhã partimos,
Ousem nova bandeira no mastro içar,
Sopre o vento nas velas, temos direcção!


27.11.2014

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Aristides de Sousa Mendes













Aristides de Sousa Mendes e família


«Mas a vereda dos justos 
é como a luz da aurora
que vai brilhando mais e mais
até ser ser dia perfeito.» 
(Provérbios, 4:18)


Este singelo ser humano, diplomata de Portugal e de vocação
Merece ser lembrado com o carinho que não recebeu vivo.
Celebrando-o na poesia e na casa que foi sua habitação
Prestamos humilde homenagem ao homem que partiu cativo.

Europa, Europa, onde está a tua história e cultura
Se a memória de homens como estes lanças fora?
Que uma Alemanha, além de económica, madura,
Em Paz possa ressurgir mais Humana sem demora.

Mais que uma árvore no jardim do Holocausto
O seu nome deve ser lembrado na História
Pois certamente não viveu nenhum fausto
Nem conheceu em vida qualquer glória.


21.03.2014