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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A Poesia como Ciência
















Joaquim Evónio de Vasconcelos 
(03.09.1938-23.06.2012)

A poesia vai além
Das palavras que se escrevem
E um só verso não contém
A essência que vai e vem.

O poema simplifica o complicado
Resumindo o essencial à quadra,
É a última potência ao quadrado
Elevada, é da filosofia a pedra.

Irredutível a um tema, insolúvel
Problema, palavras e ritmo
Feminina como a mulher, volúvel
Ignorado matemático algoritmo.

Sem estar no tempo nem espaço
Ciência exacta do sentimento,
Amizade, aquele terno abraço
Que perdura, eterno, num momento.


26.01.2015 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Pirâmide












Pirâmide de Gizé, Egipto


Do Egipto, ao profundo abismo 
Entre a Terceira e S. Miguel, nos Açores
Monumento perfeito que sobrevive ao sismo
Eis a enigmática pirâmide dos amores

Geometria singular, onde o topo
Afirma a identidade formal matemática
Com que, pela palavra agora coloco
Indescritível robustez de pedra gramática

Presente também no Sul da América
Talvez na essência da Atlântida
Na busca pela imortalidade feérica
Que o homem na ânsia tem sentido

Leva a questionar ao ser humano 
A ciência com que, tão belo, constrói
Monumentos que, após o cair do pano
Persistem, fazendo do grande arquitecto herói

Elevando-se da base de quatro pontos
Como orientação magnética, nada corroída
No topo está a áurea pirâmide.


26.01.2014 


domingo, 25 de abril de 2010

O Supra-Camões




















Camões, por Fernão Gomes

"... E que os que têm juízos mais inteiros,
Que só por puro engenho e por ciência
Vêem do mundo os segredos escondidos,
Julgam por falsos, ou mal entendidos."

Luís de Camões, Os Lusíadas, canto V, 17


Ó homem teórico, mergulhado em cálculos
Vives num mundo ilusório, torre de marfim
Quando quem executa, com vigores másculos
Conhece a razão da ordem, condu-la a um fim.

A maior injustiça, os piores erros na construção
Surgem quando os técnicos fechados nos gabinetes
Ignoram a voz da experiência e invertem a razão
Cuidando possuir autoridade: - vê lá com quem te metes!

Ó engenheiro, ó cientista, porque tens a teoria
Mas vives num mundo de mal-entendidos e falsidade,
Porque o timoneiro conhece a maré e a maresia
E tu não dás o valor devido à experiência e à idade.

Muito do saber que julgas dominar está subsumido,
Oculto em círculos onde nunca irás penetrar.
Não te esqueças que o dinheiro por ti presumido
É o resultado de muitos obreiros a trabalhar.

Olha bem o invisível, procura despertar a ordem
Ou serás rejeitado pelos padrões e o capital
De saber será como vás ilusões que se desvanecem.


24.04.2010