segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cavaleiros de Cristo



















Convento de Cristo, Tomar


Em França, são factos narrados,
Quando Filipe de cognome o Belo
Se uniu ao Papa e seus prelados

Movia-o mais o dinheiro que o zelo.


Tendo perseguido a Ordem Templária

Queimou os cavaleiros em espetos

De pau numa perseguição sanguinária

Por um tesouro que deveria ser dos rectos.


Foi então que, movido por um misto

De compaixão e profecia, D. Diniz

Criou em Portugal a Ordem de Cristo

Que levou a armada a porto feliz.



28.03.2011

sábado, 26 de março de 2011

Mãe















Uma mãe, Maria Pereira de Andrade


Mãe:
Tu que contas
As moedas
Para nos dar
A nós, teus filhos
Para almoçar,
Obrigado.

Tu que
Me vinhas
Dar boas-noites
À cama,
E cobrir-nos com beijos,
Obrigado.

Mãe:
Tu que pensavas
Em nós,
Antes de amar
A ele,
Obrigado.

Tu que
Nos amavas
Por nós sermos
Teus filhos
Que até compravas
As núvens para
Nos fazer felizes -
A ti, nossa mãe,
Obrigado.


17.03.1987

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Lethes


















De todas as dívidas que tive de pagar,
Apenas uma jamais poderei acarretar:
É aquela da malícia, cujo sorriso triste
Mas trocista tu, inacessível destino, cumpriste

Por apenas algum tempo, pouco e parco
Acedeste falar comigo. Foi como ir de barco
De mar em mar, e hoje só olho o Passado,
Como se tudo o que embarcou tivesse naufragado.

Ah! Pudera eu deixar de sofrer por este meu tesouro
Que jaz perdido nas profundezas. Até o Sol de ouro
Parece rir de mim, tão miserável; tivessem sido
Piratas, algo se salvaria, nem que tivesse falido.

Mas, pior do que a morte, mais triste que este atroz
Destino, é tudo o que tenho ser - areia, cal e pós,
Tributo em honra deste amor que não se deu,
E, mais que uma dívida, quem perdeu a troca fui eu.

Para quê tanta infelicidade? Ainda se poderia
Dizer que é melhor ter a ficar a dever,
Mas nem mesmo bom é perder quando se fia;

Tanto pior será gastar esta caravela para ver
Tanto desperdício, e tudo se afundar, a quem mais confia
Nas hordes das marés, e continuar a viver?


1998

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Senhor da Guerra




















"Senhor da Guerra", desenho de Cláudia Ribeiro


A Sua voz é a do trovão
Com a doçura dum murmúrio
Afirma a verdade sem negação,
Desce em cascata um suave rio.

A Sua Palavra em rolo de papiro
Foi gravada na rocha e no coração.
Água que bebo, ar que respiro,
Fogo primordial, verbo, encarnação

O Senhor da guerra em Israel
Deu ao mundo o Príncipe da Paz
Saciou a fome na terra do leite e mel
Seu Filho, na cruz, venceu Satanás

E este soneto ao Senhor da guerra
Só fica completo se quem o ler levantar
A bandeira bem alto, o mastro hastear

E, sobretudo, servi-Lo, na terra
Para no Além poder gozar
Tudo o que Ele tem para dar.


25.11.2010

sábado, 13 de novembro de 2010

O Meu Nome













Imagem retirada do blogue "madialeva"



Muitas palavras tenho escrito
Neste local virtual, apenas
Conceitos no interior bonito
De alguém com prazeres e penas.

Dentre esses diferentes termos
Há um escrito vezes repetidas
Assim como há outros mais ermos
Que ficam como letras esquecidas.

Apenas a mágoa de escrever poesia
Com outro nome que não de família
Me leva a pensar como seria
Neste poema pôr o nome do dia-a-dia.


12.11.2010

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Os Parasitas















Acusam-me de ter vivido à custa
Do trabalho e do nome de família.
Porém, apenas para viver à justa
Dá o salário repartido a cada dia.

Militante em partido, na democracia acredito,
Mas nunca alinhei em subornos nem prebendas.
Sei contudo que há quem dê o dito por não dito
E troque favores, empregos, vidas e prendas.

Amam crianças que dão corpo ao manifesto
Nas suas mansões os filhos não são visitas,
Mas apenas companheiros reconhecidos por gesto:
Eis, na minha opinião, os verdadeiros parasitas.


11.11.2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Ser de Luz














Pudera algum dia entender
Porque defendo a virtude
Praticando o vício de ser
Não alvo, mas negritude.

Se conseguisse discernir
Qual o estranho mecanismo
Que de tal modo me leva a agir,
Então seria, não outro, mas eu mesmo.

Porque somos seres feitos de luz
Mas, na acção, dominados por trevas,
Pois a realidade material seduz
E não vemos o ideal entre as névoas.

Um dia, perante a eternidade,
Todos teremos a oportunidade
De praticar o defendido bem
Nesta terra, assim como no além.


22.05.2008