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Convento de Cristo, Tomar
Em França, são factos narrados,
Quando Filipe de cognome o Belo
Se uniu ao Papa e seus prelados
Movia-o mais o dinheiro que o zelo.
Tendo perseguido a Ordem Templária
Queimou os cavaleiros em espetos
De pau numa perseguição sanguinária
Por um tesouro que deveria ser dos rectos.
Foi então que, movido por um misto
De compaixão e profecia, D. Diniz
Criou em Portugal a Ordem de Cristo
Que levou a armada a porto feliz.
28.03.2011
Uma mãe, Maria Pereira de Andrade
Mãe:
Tu que contas
As moedas
Para nos dar
A nós, teus filhos
Para almoçar,
Obrigado.
Tu que
Me vinhas
Dar boas-noites
À cama,
E cobrir-nos com beijos,
Obrigado.
Mãe:
Tu que pensavas
Em nós,
Antes de amar
A ele,
Obrigado.
Tu que
Nos amavas
Por nós sermos
Teus filhos
Que até compravas
As núvens para
Nos fazer felizes -
A ti, nossa mãe,
Obrigado.
17.03.1987
De todas as dívidas que tive de pagar,
Apenas uma jamais poderei acarretar:
É aquela da malícia, cujo sorriso triste
Mas trocista tu, inacessível destino, cumpriste
Por apenas algum tempo, pouco e parco
Acedeste falar comigo. Foi como ir de barco
De mar em mar, e hoje só olho o Passado,
Como se tudo o que embarcou tivesse naufragado.
Ah! Pudera eu deixar de sofrer por este meu tesouro
Que jaz perdido nas profundezas. Até o Sol de ouro
Parece rir de mim, tão miserável; tivessem sido
Piratas, algo se salvaria, nem que tivesse falido.
Mas, pior do que a morte, mais triste que este atroz
Destino, é tudo o que tenho ser - areia, cal e pós,
Tributo em honra deste amor que não se deu,
E, mais que uma dívida, quem perdeu a troca fui eu.
Para quê tanta infelicidade? Ainda se poderia
Dizer que é melhor ter a ficar a dever,
Mas nem mesmo bom é perder quando se fia;
Tanto pior será gastar esta caravela para ver
Tanto desperdício, e tudo se afundar, a quem mais confia
Nas hordes das marés, e continuar a viver?
1998

"Senhor da Guerra", desenho de Cláudia Ribeiro
A Sua voz é a do trovão
Com a doçura dum murmúrio
Afirma a verdade sem negação,
Desce em cascata um suave rio.
A Sua Palavra em rolo de papiro
Foi gravada na rocha e no coração.
Água que bebo, ar que respiro,
Fogo primordial, verbo, encarnação
O Senhor da guerra em Israel
Deu ao mundo o Príncipe da Paz
Saciou a fome na terra do leite e mel
Seu Filho, na cruz, venceu Satanás
E este soneto ao Senhor da guerra
Só fica completo se quem o ler levantar
A bandeira bem alto, o mastro hastear
E, sobretudo, servi-Lo, na terra
Para no Além poder gozar
Tudo o que Ele tem para dar.
25.11.2010

Imagem retirada do blogue "madialeva"
Muitas palavras tenho escrito
Neste local virtual, apenas
Conceitos no interior bonito
De alguém com prazeres e penas.
Dentre esses diferentes termos
Há um escrito vezes repetidas
Assim como há outros mais ermos
Que ficam como letras esquecidas.
Apenas a mágoa de escrever poesia
Com outro nome que não de família
Me leva a pensar como seria
Neste poema pôr o nome do dia-a-dia.
12.11.2010
Acusam-me de ter vivido à custa
Do trabalho e do nome de família.
Porém, apenas para viver à justa
Dá o salário repartido a cada dia.
Militante em partido, na democracia acredito,
Mas nunca alinhei em subornos nem prebendas.
Sei contudo que há quem dê o dito por não dito
E troque favores, empregos, vidas e prendas.
Amam crianças que dão corpo ao manifesto
Nas suas mansões os filhos não são visitas,
Mas apenas companheiros reconhecidos por gesto:
Eis, na minha opinião, os verdadeiros parasitas.
11.11.2010
Pudera algum dia entender
Porque defendo a virtude
Praticando o vício de ser
Não alvo, mas negritude.
Se conseguisse discernir
Qual o estranho mecanismo
Que de tal modo me leva a agir,
Então seria, não outro, mas eu mesmo.
Porque somos seres feitos de luz
Mas, na acção, dominados por trevas,
Pois a realidade material seduz
E não vemos o ideal entre as névoas.
Um dia, perante a eternidade,
Todos teremos a oportunidade
De praticar o defendido bem
Nesta terra, assim como no além.
22.05.2008