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segunda-feira, 14 de março de 2022

A guerra acabou

 



A guerra acabou.

Aqui, um monte de escombros,

Acolá, uma vala de cadáveres.

Eu observo-os

 

Chegou agora

Um grupo de trabalhadores;

Eles sabem que

A vida é correr e trabalhar

 

Para na cova acabar

Eles, corruptos cadáveres.

E é a pura simplicidade:

Eu observo-os

 

Correram, apressaram-se

E agora, a guerra acabou,

E eles, os trabalhadores,

Jazem mortos nas trevas.

 

Quanto a mim,

Eu sombrio fiquei,

Observando-os correr;

A guerra foi só para eles.

 

Eu, que fui desprezado!

Agora, eles mortos estão,

Pela guerra ultrapassados

Loucos são eles, pobres soldados!

 

Eu observo:

Não lutei nem morri,

Porém fiquei,

E vivo não estou:

Escombros sou.

 

(O Livro dos Meus Poemas, E-A, s/d, pp. 36-37)


sábado, 1 de maio de 2021

Salto Tecnológico

 

Basto, Verena, 3º prémio no Concurso de Postais da Festa do "Avante" 2014


Das empresas que empregam mão de obra

Até aos bancos de dados e a revolução

Digital é um salto sobre o abismo onde sobra

Todo o homem afastado da solução.


Quem deveria defender dos trabalhadores

Seus direitos, está comodamente sentado,

Jamais no número de outros colaboradores,

No carreirismo até subir ao estrado.


Também o poeta vai digitando na folha de texto

O seu poema de futuro tecnológico

Na língua acordês, sem contexto

Nem papel, sem predicado lógico.


28.04.2021

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Os donos do trabalho


















Komintern

Os donos do trabalho
Tomaram conta das empresas
Jogam as cartas do baralho
Que escondem debaixo das mesas.

Tomaram conta das empresas
Sem escrúpulos apoderam-se
Dos lucros sem as despesas.
Ao trabalho concederam-se

São os donos do trabalho
A eles devemos o emprego
Mandam os donos pró caralho
E os trabalhadores pró sossego.


24.04.2010