quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Pessoa

Antiga Casa de Almeida Garrett em Lisboa (R. Saraiva de Carvalho, n.º 68)

A vida é breve, a alma é vasta

Fernando Pessoa




O baú de
Fernando Pessoa
Contém saudade
Eterna poesia ecoa.

Poemas como rosas
Lidos com tanto carinho
Antes fossem prosas
Que, da flor, o espinho.

Outra flor, tão bela
Colorida camélia
Ousou ele querê-la
Bela, misteriosa Ofélia.

O português elevando
Com modernos costumes
Como ninguém Fernando
Subiu a altos cumes.


09.09.2014

domingo, 29 de janeiro de 2017

Conformidade


















Capa da revista "Orpheu"



Reunida a comissão, de acordo com a convocatória
Tendo sido seguidos todos os preceitos e estando 
Presentes todos os interessados, toda a história
Fica narrada em ata e os dados nas reuniões exarando.


No entanto, a mais relevante conclusão que aponta
Para a Qualidade da questão é a inexistência que remonta
À ausência de inconformidades nem mesmo observações
Que suscitem auditorias e sejam debatidas em reuniões.


Estando os ajustes pelos conformes, a assembleia
Reúne-se com regularidade certa, com a presença
Dos interessados, jamais pode ser deixada a meia
Nem interrompida e acerca da mesma muito se pensa...


E quando, no final, se chega a acordo, o registo
É feito, lavrados os autos e resulta nisto:
Determinada a conformidade, feita a marcação,
O cumprimento da norma será visto em nova reunião.


12.06.2013

domingo, 27 de novembro de 2016

Beleza



As formas elegantes da mulher
Montanhas que se erguem na paisagem
Do mundo, a poesia vai recolher
A beleza apresentada em sensível imagem.

Esforço inglório, o de exprimir
No limitado vocabulário uma região
Exemplificar sem nunca partir
Portugal partilha saudade e solidão.

Pudera o belo manto verde cobrir
Eternamente a Terra - o Paraíso
Estaria a ver, eucaliptos a surgir
Aqui e ali e em todas as crianças o riso.

Maravilhoso continente sem fronteiras
Terras imensas no suor lavradas
Ergamos a taça sem bebedeiras
Deixando à memória versos declamados.

12.06.2013


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Brasil


Michael Palin atravessa a Praça da Matriz em Alcântara, no 23º dia da sua visita ao Brasil (Foto: Basil Pao).
 
 
Impressionante pelo tamanho e beleza
País que a cada instante se vende
E se conquista em cada altiva fortaleza
 
Música e dança
Vozes que soam na sala
Permanente mudança
A iniciar e ao terminá-la
 
Instrumentos ecoam
Vozes de homens e mulheres soam
Rostos, trapos, cores
Fatos, portos e amores
 
Festival, por um momento
Nesta terra esqueci
Tantos problemas e o tormento
E, vendo e ouvindo, vivi.
 
Magnífico, por da grandeza de um pequeno
Povo ter nascido, e para sempre vivendo grande
Apesar de adormecido entre as Nações
Redondo como a língua, cheio e pleno
O Brasil é ser e parecer, vulcão de emoções.
 
Este novo continente
Repleto de promessas e novidades
Tem também natureza descontente
Tem exploração e tantas vaidades
O Brasil é Futuro mas também Presente.
 
 
17.11.2013

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Memória

Sé da Bahia


Um poema a sós
Foi o que escrevi com sorte
E angústia para nós
Quando contemplei a morte.

Palavras que são vividas
De valor incomensurável
Traspassam tantas vidas
Ou versos, poema agradável.

Recorda-te meu amor do divino
Pois somos como ele, inalcançável
Fica uma igreja sem paredes nem sino,
Do sagrado a experiência inefável.


27.03.2015

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Poema Ágil

A Santa Cruz, Coroa Vermelha, Cabrália, Porto Seguro





















Adorava escrever à velocidade do pensamento
Debruçado na mesa, na cama, no travesseiro
Sem que a caneta se detivesse um momento
Que nobres versos rendessem muito dinheiro.

Que a minha geração mudasse o mundo,
Conquistando Nações a Cristo ou limpando
Definitivamente a seca do Planeta imundo
Que nossos filhos do melhor fossem herdando.

Mas a imensa e maravilhosa Terra sempre frágil
É pasto de fome, fanatismos, guerras e catástrofes
Ficando apenas breve testemunho como poema ágil
Incertos versos, talvez um dia impressas estrofes.


20.10.2015

sábado, 3 de outubro de 2015

Mãe



Tu és a mulher, minha mãe
Razão de amor e fonte de vida;
Como devolver imenso bem,
Respeito, carinho e paz em ti contida?

O meu primeiro amor
Foi como a Virgem Maria,
Mas incomparável é o seio materno
Que protege da dor e trevaria.

Pode tal amor ter razão?
Certamente não terá fim,
Mesmo sabendo que não,
Sinto-o bem dentro de mim.

19.09.2015