Márcia Maia Mendonça (1948-1998), pintora de arte sacra (Ceará, Brasil)
Anoiteceu subitamente sobre a nossa clareira
E nesse instante apercebemo-nos da situação
Difícil, do instável andar à beira da ribanceira
Quando todo o caminho desaparece na escuridão.
Todas as referências se desvanecem
É demasiado tarde para voltar, cedo demais
Para partir e o tempo e o ânimo arrefecem
Então se teme e treme: o que mais?
Há um momento em que o pânico se instala
E surge uma força, ouve-se a voz interior
A tormenta sossega e tudo o resto de cala
Apesar de cercada por mar, há uma ilha de amor.
16.04.2021


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