quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Lusitania

Lusitania

You got those feelings that you never show,
But be sure, honey, that I know
I’ve been blind, I’ve been underground,
But I’m sure that I’ve seen you around.

So, I beg you to help me dear,
Because I can’t help it. I’ve felt the death so near
And no-one is blinder than he who will not see,
So, I show you dear, that no-one is blinder than me.

I’ve been bleeding in this stone,
I’ve been becoming a bone;
I am so dry, so don’t tell me no lie,
Because I feel that soon I’ll die.

Come on! Take me home,
I’m sick of beeing a stone,
And I’ve been dying all alone,
And still you’ve got those feelings that you never show. 


Lusitania


Goodbye, Tripman.
I wish you had never been so far.
I don’t want you to become what I am,
And you shouldn’t never have been as you are.

Goodbye, Ruby Tuesday,
I don’t want you to rip a joint, I don’t want to borrow 
My life. You shouldn’t ever made that trip, not before, not today,
And if you were smart, you’d never make that trip tomorrow.

Goodbye, man of the Stone Age
Pray to God so that He cures your stupid blindness.
You shouldn’t have become a bone, but you were wishing to be a sage.
So, take away that empty haze, and never live again so full of lifeless.


Lusitania

Alone
You left me all alone
Without any hope
Turn into stone
With a broken rope.

I’ve felt the wind
Wondering in the rain.
You’ve left me blind,
One of a kind,
Lost at last, lost again.

18.08.2004

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Baiana

S. Salvador da Baía - Cruz Caída / Tombada


Terra de luz
Nome do Senhor
Areia que reluz
Mar em Salvador

Baiana nossa capital
Tanto misticismo
Diferente e igual
Céu e abismo

Ali fomos, pelo mar
E por terra, descobrindo
Histórias de espantar
Tantas portas abrindo.

27.04.2014

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Alquimia

Camões, Os Lusíadas, 1572, p. 6.


Grifo de ouro e de diamante
Que permaneces constante
Na travessia das aparências
Pedra filosofal de todas as essências.

Ensina, sussurrante, o augúrio
Que, ignoto, o futuro reserva
Por sinais, aromas e pelo murmúrio
Da água que nas gárgulas se conserva.

Mais que ciclo de gelo e de degelo
Eterno fluxo de perfeito fluido,
Matéria trabalhada em obra do Belo
Plasmada na perfeição do tempo concluído.

Tanto conhecimento que em amor redunda,
Imenso saber que torna a Terra fecunda
Na pureza dos quatro elementos
Todo que se difunde, espalhado pelos ventos!

Possa transmutar este barro fenomenal
Em alquímico ouro de qualquer metal;
Seja o corpo esse alambique do sobrenatural!

26.03.2018

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Refundação

Tomar, Convento de Cristo, abóbada da Sala de Iniciação

Refunde-se Portugal
Ditou o líder altivo
Com a mensagem de Natal.
Mas aquilo para que vivo
Não tem refundação
Não se refunda Portugal
Sem se estar na fundação.

A língua portuguesa
É por excelência da poesia
Pudera haver certeza
De se dizer o que se dizia;
Porém, estar a refundar
Uma velha apostasia
É como viver apátrida sem lar.

Refundação é partir a descobrir
É navegar por sete mares
Os Lusíadas escrever sem mentir
Aliança de nações sem pares
Lusitânia sem comparação
Povo que levanta santos altares
Estranha palavra - refundação.


26.04.2013



segunda-feira, 19 de março de 2018

Não Inscrição

Finisterra


Não estou inscrito
Ou se estive, fui apagado
Nada merece ser escrito
Em lado nenhum há fado.

A língua que falo
Apenas uma entre mil
Alguém escreve para apagá-lo
A velhice do homem senil.

Entre tantas páginas 
Livros, folhas, jornal
Há as que nem imaginas
Que passam do bem e do mal.

Perdurar é futilidade
Fomos iguais com a revolução
Hoje "tudo é vaidade"
Somos a não-inscrição.


26.04.2013

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A Moura e o Velhote

François Loubrieu in Derrida, Éperons, p. 55.


Talvez num breve momento
Eu regresse ao lugar que já esqueci.
Talvez transportado pelo vento
Consiga trazer o Passado até aqui.

Podia decidir escrever isto
Só para ti, velhote que nunca conheci
E sofrer neste vício em que insisto
E em que tantas vezes morri.

Mas pareceria insensatez escrever 
Para ti que meu parecer não vês
Mas que me descobres ao ler
E tu, que pareces, que és?

E poderia estas palavras revelar 
À minha moura amada.
Confiaria minha alma de pesar
A quem tem meu coração, calada.



quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Cisne Branco

Cisne branco (in jornaldosbichos.blogspot.pt )



Mergulhado na volúpia
Das águas calmas do lago
As melodias, a ave que pia
Submerso, tão vago...

Enorme, com alvas penas
Majestoso cisne branco
Natureza, mais que ave apenas
Marcos, todas as cores, branco

Suspenso, corpo à tona
Cabeça fundo debaixo de água
A beleza quebrando a monótona
Realidade, toda tristeza e mágoa.


10.11.2013