segunda-feira, 19 de março de 2018

Não Inscrição

Finisterra


Não estou inscrito
Ou se estive, fui apagado
Nada merece ser escrito
Em lado nenhum há fado.

A língua que falo
Apenas uma entre mil
Alguém escreve para apagá-lo
A velhice do homem senil.

Entre tantas páginas 
Livros, folhas, jornal
Há as que nem imaginas
Que passam do bem e do mal.

Perdurar é futilidade
Fomos iguais com a revolução
Hoje "tudo é vaidade"
Somos a não-inscrição.


26.04.2013

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A Moura e o Velhote

François Loubrieu in Derrida, Éperons, p. 55.


Talvez num breve momento
Eu regresse ao lugar que já esqueci.
Talvez transportado pelo vento
Consiga trazer o Passado até aqui.

Podia decidir escrever isto
Só para ti, velhote que nunca conheci
E sofrer neste vício em que insisto
E em que tantas vezes morri.

Mas pareceria insensatez escrever 
Para ti que meu parecer não vês
Mas que me descobres ao ler
E tu, que pareces, que és?

E poderia estas palavras revelar 
À minha moura amada.
Confiaria minha alma de pesar
A quem tem meu coração, calada.



quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Cisne Branco

Cisne branco (in jornaldosbichos.blogspot.pt )



Mergulhado na volúpia
Das águas calmas do lago
As melodias, a ave que pia
Submerso, tão vago...

Enorme, com alvas penas
Majestoso cisne branco
Natureza, mais que ave apenas
Marcos, todas as cores, branco

Suspenso, corpo à tona
Cabeça fundo debaixo de água
A beleza quebrando a monótona
Realidade, toda tristeza e mágoa.


10.11.2013

terça-feira, 16 de maio de 2017

Europa










            

Bandeira da União Europeia


Nas escadarias da assembleia da república
Enorme palco montado para dois leões
Orientado, onde toca sinfónica música
Orquestra, fado, cantigas na língua de Camões.

Sentado, o povo hesitante como o tempo,
Ora chuvoso, ora ameno, permanece atento
Sempre sereno, enquanto o poeta
Em pensamento acompanha todo o evento.

Gerações lusitanas prosseguem a epopeia
Mantendo a união de sangue e de nobreza
Ontem combatendo, hoje na vida europeia
Sempre transmitem verdade e beleza.

Oh que bom e agradável assistir
Ao espetáculo tão soberbo e clássico
Com tão doce companhia, esperando o porvir
Em confiança num despertar tão mágico.

27.04.2014

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Pessoa

Antiga Casa de Almeida Garrett em Lisboa (R. Saraiva de Carvalho, n.º 68)

A vida é breve, a alma é vasta

Fernando Pessoa




O baú de
Fernando Pessoa
Contém saudade
Eterna poesia ecoa.

Poemas como rosas
Lidos com tanto carinho
Antes fossem prosas
Que, da flor, o espinho.

Outra flor, tão bela
Colorida camélia
Ousou ele querê-la
Bela, misteriosa Ofélia.

O português elevando
Com modernos costumes
Como ninguém Fernando
Subiu a altos cumes.


09.09.2014

domingo, 29 de janeiro de 2017

Conformidade


















Capa da revista "Orpheu"



Reunida a comissão, de acordo com a convocatória
Tendo sido seguidos todos os preceitos e estando 
Presentes todos os interessados, toda a história
Fica narrada em ata e os dados nas reuniões exarando.


No entanto, a mais relevante conclusão que aponta
Para a Qualidade da questão é a inexistência que remonta
À ausência de inconformidades nem mesmo observações
Que suscitem auditorias e sejam debatidas em reuniões.


Estando os ajustes pelos conformes, a assembleia
Reúne-se com regularidade certa, com a presença
Dos interessados, jamais pode ser deixada a meia
Nem interrompida e acerca da mesma muito se pensa...


E quando, no final, se chega a acordo, o registo
É feito, lavrados os autos e resulta nisto:
Determinada a conformidade, feita a marcação,
O cumprimento da norma será visto em nova reunião.


12.06.2013

domingo, 27 de novembro de 2016

Beleza



As formas elegantes da mulher
Montanhas que se erguem na paisagem
Do mundo, a poesia vai recolher
A beleza apresentada em sensível imagem.

Esforço inglório, o de exprimir
No limitado vocabulário uma região
Exemplificar sem nunca partir
Portugal partilha saudade e solidão.

Pudera o belo manto verde cobrir
Eternamente a Terra - o Paraíso
Estaria a ver, eucaliptos a surgir
Aqui e ali e em todas as crianças o riso.

Maravilhoso continente sem fronteiras
Terras imensas no suor lavradas
Ergamos a taça sem bebedeiras
Deixando à memória versos declamados.

12.06.2013